segunda-feira, 16 de abril de 2012

FREGUESIA DE FAMÕES



REGIÃO              LISBOA
SUB REGIÃO       GRANDE LISBOA
DISTRITO           LISBOA
CIDADE             ODIVELAS
FREGUESIA       FAMÕES


Brasão

Escudo de verde, faixa ondada de prata, acompanhada em chefe de duas armações de moinho de negro, vestidas e cordoadas de ouro e, em ponta, de uma vaca passante, de prata, malhada de negro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com a legenda a negro: «FAMÕES — ODIVELAS».

Bandeira

Amarela. Cordão e borlas de ouro e verde. Haste e lança de ouro

Selo 
Nos termos da lei, com a legenda: «Junta de Freguesia de Famões — Odivelas».
(Publicado no Diário da República, 3.ª série, n.º 54, pág. 4758, de 5 de Março de 2002)

Simbologia





A cor verde do escudo recorda os campos verdejantes do território da Freguesia, pasto para as explorações de pecuária outrora existentes, simbolizadas pela vaca passante. 




As armações em chefe evocam os inúmeros moinhos de vento que encimavam os outeiros da região, simbolizando a faixa ondada de prata as muitas linhas de água e nascentes existentes. 


A coroa que encima o brazão é de quatro torres, que nos termos da lei é usada pelas freguesias que têm sede em vila. 
O amarelo da bandeira refere-se aos campos de trigo, outrora abundante na região.

 HISTORIA


Em termos administrativos, a Freguesia de Famões, desanexada da Freguesia de Odivelas, foi criada no dia 25 de Agosto de 1989 e elevada à categoria de Vila no dia 19 de Abril de 2001.



Faz hoje parte do concelho de Odivelas, depois de este ter sido criado por desanexação do concelho de Loures, a 19 de Novembro de 1998.
Em termos eclesiásticos, a Paróquia de Famões pertence à Vigararia de Loures-Odivelas, Diocese de Lisboa, e tem como orago Nossa Senhora do Rosário.


Antiguidade da Terra e do Nome

O povoamento da área que hoje é a Freguesia de Famões remonta a épocas pré-históricas, havendo vestígios de ocupação humana pelo menos em datas que se podem situar no 5.º milénio antes de Cristo.
Cerca de 1912, o investigador Vergílio Correia dava conta da existência de duas estações arqueológicas em Famões, uma delas em terrenos dos Alvitos, de que hoje não se conhecem vestígios
Na década de 1920, Francisco Ribeiro, um amador de Arqueologia, fotografou e escavou quatro dólmens que descobriu na zona dos Trigaches. 
E foi já na década de 1960 que estes monumentos foram mais profundamente estudados e catalogados pelos especialistas Octávio da Veiga Ferreira e Vera Leisner, que encontraram inúmeros vestígios megalíticos na área que denominaram Necrópole dos Trigaches.




Infelizmente, por incúria ou outras razões, destes monumentos pré-históricos resta apenas o espólio recolhido pelos investigadores, que actualmente faz parte do Museu dos Serviços Geológicos, em Lisboa




Em períodos anteriores ao séc. XVIII, Famões deveria ser um pequeno casal agrícola (igual a tantos outros existentes na mesma região), tal como aparece mencionado na confirmação de um aforamento feito pela Chancelaria de D. Afonso V, em 1457. Nessa época, o casal de Famãees - assim era denominado este "casal de pão" - pertencia à Gafaria de Almada (um hospital que acomodava os gafos ou leprosos) e andava aforado ao tanoeiro Lopo Fernandes que o doou a Beatriz Lourenço, os dois moradores em Lisboa (Chancelaria de D. Afonso V, Livro 7 - Estremadura, fl. 56 v. e 57 f.). 
Esta é a primeira notícia que até hoje foi possível encontrar relativa ao sítio de Famões. A partir do séc. XVIII, o nome de Famões começa a ser mais comummente fixado em numerosos documentos. Na Chorographia do Padre António de Carvalho (1712), Famões aparece como um lugar, a par dos Pombais, entendendo-se um lugar como um aglomerado de alguns (poucos) casais agrícolas. Nas Memórias Paroquiais de 1758, o pároco refere que no lugar de Famões habitavam 44 pessoas. 

Pelos registos da Décima da Cidade (um documento fiscal do período pombalino), sabemos que o casal de Famões propriamente dito andava na posse de um Manuel Francisco Camello, que ainda nessa altura tinha obrigações fiscais com a Misericórdia de Almada, instituição onde os bens da Gafaria deverão ter sido incorporados. Sobre a origem etimológica do nome de Famões pouco hoje se poderá dizer. A sua originalidade é quase única, existindo apenas uma outra localidade homónima no concelho do Bombarral.

Apesar de serem hoje mais excêntricos e, por esse mesmo motivo, terem perdido a relativa importância que antes tinham, mantêm-se desde os finais da Idade Média vários sítios ou lugares na toponímia actual. Estão neste caso o sítio dos Alvitos (hoje Quinta do Alvito), um lugar alto, de atalaia sobre o vale circundante; 


o Trigache, um lugar que poderá ter adquirido o nome a partir de um certo tipo de trigo, produção abundante na região; o sítio dos Queimados (hoje Casal das Queimadas), provavelmente um topónimo que poderá ter estado ligado à existência de gente de tez escura, ou mesmo negra; 
sítios que adquiriram o nome da paisagem, como muito provavelmente aconteceu com os Campos, os Carrascos, o Outeiro, a Silveira, o Saramagal, ou da orografia, como se nota na Barroca, no Cabeço do Bispo; por fim, lugares que obtiveram o seu nome da gente famosa que os deu em arrendamento, como o sítio das Comendadeiras, a Quinta do Abadesso ou a Quinta das Pretas d’El Rei.
Economia Antiga de Famões
Famões teve no passado uma actividade agrícola intensa. A existência de numerosas quintas e casais (Quinta do Alvito, Quinta do Segolim, Casal de S. Sebastião, Quinta das Pretas d'El-Rei, Quinta das Dálias, e muitas mais), denuncia bem essa característica. Aí se cultivavam cereais, oliveiras, laranjeiras, se apascentavam rebanhos de ovinos e se criava gado vacum, sendo o leite e o queijo, a par das cerealíferas e derivados, produtos importante na economia da população.
As características do solo e as condições climatéricas deram uma relativa unidade económico-social a toda esta área.
A produção de cereais exigia lugares de concentração, para a tarefa de debulha, as eiras. Malhado e limpo nas eiras, ficava o trigo preparado para ser moído. Os ventos fortes e constantes, na Primavera e no Verão, que sopravam no planalto, possibilitaram o aproveitamento da sua energia, transformando-a em força motriz, para fazer mover os moinhos de vento, que chegaram a ser mais de uma dezena.





Restam as ruínas de alguns desses moinhos, um dos quais, o Moinho da Laureana, no outeiro que encima o Jardim Gertrudes da Velha, é hoje o ex-líbris da Freguesia depois de ter sido restaurado, funcionando como núcleo museológico.

Marcado por acentuados desníveis orográficos, dando origem a montes e “barrocas” (crateras), parte do território desta freguesia reflecte a importância das pedreiras do Trigache, cuja actividade é descrita nas Memórias Paroquiais de 1758: 

 «Junto a este lugar de Trigache há duas notáveis pedreiras, vulgarmente chamadas do Trigache, donde se tem tirado para vários templos e edifícios não só da Corte, mas de todo o Reino, e ainda actualmente se tiram admiráveis pedrarias, umas brancas tão claras, que depois de lavradas e brunidas, parecem de jaspe, outras vermelhas e outras mescladas de branco e vermelho, que depois de brunidas parecem pintadas». Foi destas pedreiras que saiu a pedra para a reconstrução da cidade de Lisboa aquando do terramoto de 1755.

Famões na Atualidade


 O presente desta Freguesia já nada tem a ver com o passado referido antes. Era um pequeno aglomerado de casais de agricultores "saloios" dedicados às culturas hortícolas e à pecuária com que ajudaram a alimentar Lisboa. Com o tempo, instalaram-se aqui várias quintas de veraneio para a nobreza e familiares, e também para famílias burguesas endinheiradas da cidade. 
Mas as quintas dos nobres e da burguesia eram espaços reservados e fechados. À sua volta persistiu, durante séculos, uma população profundamente enraizada numa cultura rural, com conotações muçulmânicas, a que se juntaram posteriormente algumas famílias alentejanas e outras do Ribatejo e Beiras, igualmente ligadas à terra e que vieram atraídas pelos empregos em Lisboa.
Mesmo assim, olhando para a primeira carta aérea da região, feita pelo Instituto Geográfico Cadastral em 1944, verifica-se o carácter totalmente rural de Famões nessa época. 
O panorama alterou-se profundamente das décadas de 60-70 do século passado para a actualidade. A proximidade com a grande cidade e, ao mesmo tempo, a abundância de espaço a preços na altura convidativos facilitaram a implantação de construção urbana ilegal, hoje em total recuperação e legalização. 

Surgiram empresas familiares e unidades de pequena e média indústria, actualmente em parques empresariais. O comércio também tem sido alvo de investimento, com a criação de armazéns grossistas e de supermercados das grandes marcas que operam em Portugal.
A construção habitacional é na sua esmagadora maioria do tipo vivenda familiar de dois andares, havendo apenas um bairro onde é permitida a construção de outra tipologia.
Actualmente a agricultura é uma actividade sem expressão e os investimentos nesta área são nulos, pelo que o fim do sector primário é certo. Em seu lugar, é ao comércio, à indústria e aos serviços que a população residente vai buscar os rendimentos gerados na área da Freguesia.






Gastronomia
Empadas da Madre Paula
Ingredientes:
  • Massa
  • Farinha 600g
  • Açúcar 100g
  • Manteiga 150g
  • Água 0,250 l
 Recheio:
  • Água 0,250 l 
  • Açúcar 500g
  • Amêndoa* 100g
  • Ovo (gema) 10
*miolo sem pele e moído de forma a apresentar a textura da farinha.
Como fazer:
A Massa
1.    Abrir estanca na farinha;
  1. Adicionar o açúcar e a manteiga na estanca e trabalhar até obter uma mistura bem distribuída;
  2. Adicionar a água e envolver a farinha até obter uma massa homogénea;
  3. Cobrir com a película aderente* e reservar.
O Recheio
1.    Colocar a água e o açúcar no caçarolete, levar ao lume e deixar ferver até obter ponto de fio fraco;
  1. Adicionar a amêndoa e deixar levantar fervura;
  2. Verter para uma tigela e deixar arrefecer;
  3. Envolver as gemas e reservar.
Execução das empadas
1.    Estender a massa com o auxílio do rolo até obter a espessura de 2mm;
  1. Cortar círculos de 7cm e de 8cm de diâmetro, com o auxílio de cortantes lisos e frisados, respetivamente;
  2. Dispor as formas nos tabuleiros e forrar, cada forma, com círculos de massa de 8cm;
  3. Encher com  o recheio e tapar com os círculos de 7cm;
  4. Pintar a superfície de cada forma com a gema;
  5. Cozer no forno à temperatura de 230º C;
  6. Deixar arrefecer e desenformar para a travessa.
*Tradicionalmente, utilizava-se um pano humedecido para cobrir a massa.

Locais de interesse

Núcleo Museológico do Moinho da Laureana


Localizado num outeiro que é hoje o Jardim Gertrudes da Velha, o Moinho da Laureana foi edificado no segundo quartel do séc. XVIII e tem as suas primeiras referências escritas em 1762/1763, nos Livros de Décimas. 

Reflexo do percurso histórico da actividade moageira, passou de um período áureo, em que laboravam na região do concelho de Odivelas 60 unidades, a um estado de completa degradação e abandono, sendo recuperado em 2001 pela Câmara Municipal de Odivelas
Trata-se de um exemplar característico do Sul do País e insere-se na tipologia dos moinhos fixos de torre cilíndrica em pedra. O edifício é de dois pisos: a loja e o sobrado e um piso intermédio de pouca altura, que não ocupa toda a superfície circular. O capelo (cobertura) é móvel por intermédio de um sarilho interior, que permite orientar o mastro e as velas por forma a obter uma melhor captação dos ventos. Arma-se com quatro velas triangulares em pano, presas às varas que irradiam do mastro. A rotação do mastro é feita através de uma roda dentada de coroa - a entrosga - que transmite o movimento ao veio por meio de um carreto situado no centro do moinho, onde está instalado o aparelho de moagem constituído por um casal de mós. 
O grão corre do tegão para a quelha e daí para o olho da mó, caindo depois, já sob a forma de farinha, para a caixa, protegida pelo panal. 

A construção original tinha uma particularidade que foi preservada na reconstrução: a barra pintada na base do edifício, até à meia-porta, é de cor vermelho-ocre, diferente da maioria dos moinhos da região que apresentavam aquela barra de cor predominantemente azul.
Localização: Rua dos Moinhos, Jardim Gertrudes da Velha, Famões.

O moinho pode ser visitado, mediante inscrição prévia na Divisão de Juventude e Cultura da Câmara Municipal de Odivelas ou na Junta de Freguesia de Famões. 

Jardim Botânico de Famões “Prof. Dr. Fernando Catarino”

Situado no Bairro de S. Sebastião, com cerca de 6200 metros quadrados de área, o Jardim Botânico de Famões, inaugurado em Março de 2009, alberga mais de 6000 plantas representativas de cerca de 50 espécies autóctones características da região de Lisboa, como giesta, esteva, loureiro, tojo, murta, alfazema, gerânio, sardinheira e muitas outras.

A manutenção técnica e o acompanhamento científico são feitos pelo Jardim Botânico de Lisboa, sob a responsabilidade do antigo director, Prof. Dr. Fernando Catarino, e pretende-se que este espaço venha a ser visitado por alunos das escolas da região, com vista a proporcionar-lhes o contacto com a flora tradicional e conhecimentos sobre a mesma.
O jardim, que inclui um conjunto de estatuária realizado por alunos da Escola Nacional de Belas-Artes, está dotado de um sistema de rega gota a gota, conta com um espaço central para auditório ao ar livre, que pode ser coberto com um sistema amovível, e é iluminado por candeeiros que consomem energia solar.

Trata-se de um espaço vedado em toda a dimensão por um conjunto de gradeamento tipo inglês


Fonte Ferreira


Localizada no limite nordeste da 

freguesia, na Rua Amália Rodrigues. 

Trata-se de uma fonte tradicional, de

 origem provavelmente tardo

-medieval, alimentada por um

 nascente que desemboca numa mina 

escorada em parede e com travação 

triangular do tecto também em 

pedra.

Situa-se nas proximidades das antigas pedreiras do Trigache, de onde foi extraída muita da pedra utilizada na reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755, numa zona onde na primeira metade do século passado foram descobertos vestígios pré-históricos - a chamada “Necrópole dos Trigaches”.

Quinta do Alvito

O edifício principal da Quinta do Alvito, construído em 1938, situa-se à entrada da vila, do lado de Odivelas. 
Propriedade na altura da Família Bengala, esta quinta configurava já uma unidade económica agro-industrial de alguma envergadura, quer pela extensão quer pela nobreza e requinte de alguns elementos arquitectónicos patentes no edifício que, actualmente, não fora a intervenção da Junta de Freguesia em reparações de manutenção mais urgentes, estaria já em fase de derrocada. 

Além do edifício principal, a quinta possuía vários outros, para habitação do pessoal, estábulos e arrumos, sendo, no seu auge, um importante pólo de produção leiteira. Digno de registo era também o seu sistema de rega, com nascentes próprias em minas no outeiro dos Alvitos, sendo as águas encaminhadas pela força da gravidade por canalizações e canais que percorriam todo o terreno, alimentando tanques, fontes e a própria habitação.

Casal de São Sebastião

Situado na estrada principal (Rua Marechal Gomes da Costa) próximo do centro da vila, nas traseiras da Igreja. 
Hoje cercado por um condomínio luxuoso e em breve pelas novas instalações de Centro Comunitário Paroquial de Famões, mantém mesmo assim a nobreza de um pequeno casal agrícola, onde ainda se vislumbram os "mimos" daquilo que terá sido uma horta farta. Na fachada apresenta painel de azulejos datados do séc. XIX.

Casal dos Queimados

Situa-se na Rua das Queimadas e foi outrora uma unidade agrícola pertencente a uma família aí existente pelo menos desde o início do séc. XVII, que tinham por apelido Queimados. 
No séc. XVIII, conforme se pode ver pelo Livro das Décimas da Cidade de Lisboa de 1764, os Queimados são dos únicos fazendeiros que não trazem a terra arrendada, antes a trabalham por conta própria. 

A construção manteve-se até aos nossos dias, já dividida por vários donos em virtude de partilhas de herança, mas embora uma parte esteja em completa ruína, outra parte foi reconstruída mantendo a antiga traça e continuando a cumprir o seu papel de unidade habitacional. 

Marco Geodésico do Casal do Bispo

O topo deste marco geodésico é agora o ponto mais alto do concelho de Odivelas (uma vez que em virtude da construção de habitações circundantes teve de ser elevado muito acima do nível original) e o interesse do local advém-lhe precisamente dessa localização altaneira, de onde, quando o horizonte se apresenta límpido, se avista tanto o Tejo e lezírias de Vila Franca de Xira como o mar e a zona do Parque Natural Sintra-Cascais.
Existe um projecto da Junta de Freguesia para ali construir um parque condigno com o local, incluindo miradouro ao nível do “talefe”. 

Visite também:

Espólio da “Necrópole dos Trigaches





O espólio megalítico recolhido nos quatro dólmens descobertos em Famões por Francisco Ribeiro, na zona do Trigache – a “Necrópole dos Trigaches -, local que, já na década de 1960, foi mais profundamente estudado por Octávio da Veiga Ferreira e Vera Leisner, investigadores que catalogaram todo o material obtido, encontra-se no Museu dos Serviços Geológicos, situado em Lisboa, na Rua da Academia das Ciências, n.º 19 – 2.º andar.
As visitas podem ser feitas das 10 às 17 horas, de terça-feira a sábado.




Associativismo


  


Grupo Recreativo e Cultural de Famões












Clube Desportivo e Recreativo “Os Silveirenses












Associação Desportiva e Cultural Quinta das Dálias


Escutismo



 Corpo Nacional de Escutas – Agrupamento 1177 de Famões





Nenhum comentário:

Postar um comentário