terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

FREGUESIA DE MEDA DE MOUROS





REGIÃO               CENTRO
SUB  REGIÃO       PINHAL INTERIOR                 
DISTRITO             COIMBRA
CIDADE                 TABUA
FREGUESIA               Meda de Mouros


 A origem do nome da freguesia vem do latim “amoena”, ou seja, amieiro. O topónimo aponta para um povoamento árabe. Acredita-se que os Mouros habitaram nesta freguesia e durante a sua permanência exploravam ouro no Rio Alva. Diz a lenda que quando forma expulsos durante a Reconquista Cristã, deixaram parte do ouro escondido na freguesia.









O “foro de sena” de 1136 registava os direitos e os deveres dos vizinhos que habitavam uma vasta região, centrada na actual cidade de Seia, incluindo o Concelho de Tábua.


No “Cadastro da População do Reino” de 1527, citam-se as povoações do concelho de Tábua. Farinha Podre e Coja tiveram parte do termo no actual Concelho de Tábua. Pertenceu ao Curato de Coja e ao seu Concelho.

Meda de Mouros pertenceu ao senhorio dos Bispos de Coimbra e foi desmembrada de Coja nos finais do séc. XVI.

Os seus habitantes viviam da pastorícia e agricultura, sendo este um sector que desde sempre teve relevância no desenvolvimento económico da freguesia.
Em 1931, foi criado um Sindicato Agrícola, responsável pela recuperação e ampliação da zona de olival e pela criação do 1º Celeiro Nacional. Era para o Celeiro de Meda de Mouros, que os produtores de trigo do concelho e concelhos vizinhos traziam os seus cereais, afim de posteriormente serem transportados para o comboio de Sta Comba Dão. Foi também criada uma delegação da Federação dos Produtores de Trigo.








 Para além das actividades atrás referidas, existiam também na aldeia artesãos: ferreiros, carpinteiros, tamanqueiros, alfaiates, cesteiros, barbeiro/médico/dentista, moleiros e tecedeiras. Uma das tradições da aldeia eram as “palheiras” onde as tecedeiras da aldeia se reuniam à volta do tear, a cardar e a fiar.

Os moinhos, datados do séc. XVIII, ainda laboravam em pleno séc. XX.
Meda de Mouros sempre se esforçou por acompanhar o progresso e melhorar as suas condições de vida. 
A sua Casa do Povo foi a 2ª do Distrito de Coimbra (criada em 1934); foi a 4ª freguesia usufruir de energia eléctrica e neste mesmo ano, 1935, inaugurou a rede de abastecimento de água com sistema elevatório; nos anos 50 procedeu-se ao calcetamento da rua principal e à construção da Cooperativa de Agricultores.



No que diz respeito a tradições, uma delas é a do Cepo de Natal. Trata-se de uma enorme fogueira, alimentada por cepos e que se acende no largo junto à igreja onde se celebra a Missa do Galo. No final da missa, as pessoas reúnem-se em volta do cepo e fazem café e “provam” a gastronomia tradicional.
 
Um dos outros costumes regista-se na quadra carnavalesca. É o chamado “pisão” que não passa de uma brincadeira entre amigos. Outro costume típico desta época são as “corridelas” de Entrudo que representam a divulgação de situações caricatas que se tenham passado.
 As festas são também tradição em Meda de Mouros, quer de carácter religioso, quer profano. Uma delas é a Festa em Honra de S. Pedro e este ano realiza-se também a Festa em Honra a S. Sebastião, padroeiro da aldeia, festa esta que já não se realizava à mais de 20 anos.De carácter profano, destacam-se as festas Convívio da Comissão de Melhoramentos de Meda de Mouros e o Convívio dos Padeiros e Pasteleiros, conhecida por Convívio da Farinha.
 Quanto ao primeiro, realiza-se anualmente o Piquenique da Comissão de Melhoramentos de Meda de Mouros. O segundo teve inicio em 1996 e desde então tem vindo a realizar-se anualmente
Padroeiro
O orago da freguesia é São Sebastião, que pela sua fé em Jesus foi martirizado. Celebram uma festa em sua honra no dia 20 de Janeiro. Nasceu em Narbona, França, no final do século III e desde muito pequeno os seus pais mudaram-se para Milão, onde cresceu e foi educado. O seu pai foi militar e nobre, São Sebastião também quis seguir a carreira do pai, chegando a ser capitão da primeira corte de guarda pretonana, um cargo que só se dava a pessoas ilustres e correctas.

A dedicação de São Sebastião á sua carreira valeu elogios dos seus companheiros e, principalmente,do imperador Maximiano. O império romano na época era governado no, oriente por Diocleciano e no ocidente por Maximiano. Este ignorava que Sebastião era um cristão de coração e, ainda que mesmo cumprindo as suas tarefas militares, não tomava parte nos sacrifícios nem nos actos de idolatria.
 



Sempre que podia, visitava os cristãos encarcerados e ajudava os mais fracos, doentes e necessitados,
Era um soldado dos dois exércitos, o de Cristo e o de Roma.
Maximiano empreendeu uma depuração de elementos cristãos nas forças armadas expulsando todos os cristãos de seus exércitos. Cabe dizer que o soldado do exército romano era voluntário. Só era obrigatório servir, os filhos de militares, como era o caso do Sebastião. Quando um soldado o denunciou, Maximiano sentiu-se traído por Sebastião e rapidamente chamou-o e exigiu que renunciasse ao cristianismo.
Perante esta situação, Sebastião comunicou ao imperador que não queria renunciar ás suas crenças cristãs e o imperador ordenou a sua morte. Mas Maximiano ordenou a sua morte, da maneira mais atroz. Os arqueiros desnudaram-no, levaram-no ao estádio de Palatino, ataram-no a um poste e lançaram-lhe uma chuva de flechas. Depois deste macabro crime, abandonaram-no a sangrar até à morte. Irene, uma mulher cristã, que apreciava os conselhos de Sebastião, foi ao local onde estava o santo, juntamente com um grupo de amigos, e comprovaram que o mesmo ainda estava vivo.
Desamarraram-no e Irene escondeu-o e tratou-o em sua própria casa. Passado algum tempo, Sebastião ficou curado, e quis continuar o seu processo de evangelização e, em vez de se esconder, com valentia, apresentou-se de novo a Maximiano, o qual ficou assombrado. Maximiano não deu ouvidos aos pedidos de Sebastião, para que deixasse de perseguir os cristãos e ordenou, os seus soldados, que o açoitassem até á morte. Após a sua morte, foi enterrado num cemitério subterrâneo, sob a Via Apia. Mais tarde, a Igreja construiu um templo em honra do santo, a Basílica de São Sebastião/ que ainda existe e recebe um grande numero de devotos. A Irene que cuidou de São Sebastião, é a Santa Irene cuja festa é celebrada no dia 30 de Março.

Gastronomia
Bolos de mel

Bucho

Ingredientes:
Bucho de porco, arroz, suã de porco
febra de porco
Coração de porco
piri-piri q.b.
colorau
salsa
sal
sangue de porco.

Modo de Preparo:
  1. começa-se por encalar o arroz.
  2. Depois junta-se ao arroz sangue líquido de porco e, em pedaços, a suã, as febras e o coração.
  3. Tempera-se com o piri-piri, o colorau, o sal e a salsa.
  4. Quando estiver tudo bem misturado no arroz enche-se o bucho e cose-se a abertura com uma agulha e uma linha de modo cruzado e de maneira a evitar que rebente.
Deixar cozer durante aproximadamente duas horas.





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